"Era uma vez"
pousava o timbre calmo de minha mãe
em meus ouvidos.
Eu adormecia antes do final.
Todas as noites, a mesma coisa
"Era uma vez", e eu dormia
sem ouvir o fim da história.
De manhã, ao acordar
sem saber do desfecho
eu inventava um
mamãe mal sabia
que ali nascia meu calvário.
Era uma vez um menino
que começou a inventar histórias
e depois disso
nunca mais dormiu.
Flantuares
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Após fornicar o dia inteiro
Mais tarde
após fornicarmos o dia inteiro
ela deitou-se, nua, no sofá
"Fará um poema sobre mim?", perguntou-me
"Já o fiz", respondi.
Olhou-me, surpresa
e tudo pareceu calar-se
para ouvir suas palpitações.
Flantuares
após fornicarmos o dia inteiro
ela deitou-se, nua, no sofá
"Fará um poema sobre mim?", perguntou-me
"Já o fiz", respondi.
Olhou-me, surpresa
e tudo pareceu calar-se
para ouvir suas palpitações.
Flantuares
sábado, 3 de outubro de 2009
A vida segue a mesma, insuportável
2001:
o corinthians era campeão paulista
Bin laden derrubava o World Trade Center
a Argentina atravessava uma crise
o Brasil estava no escuro
eu me embriagava todo dia
e numa rua qualquer
meu pai tombava
fechando seus olhos para sempre.
Flantuares
o corinthians era campeão paulista
Bin laden derrubava o World Trade Center
a Argentina atravessava uma crise
o Brasil estava no escuro
eu me embriagava todo dia
e numa rua qualquer
meu pai tombava
fechando seus olhos para sempre.
Flantuares
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Uma dor de cabeça
As aflições estavam piores a cada dia. O médico lhe disse que era por causa da sinusite, uma inflamação na mucosa que causa dores agudas na altura da testa e, em alguns casos, podia atingir o cérebro, afetando o estado psicológico de quem a tem. Isto explicava as perturbações mentais que vinha sofrendo e seu nariz constantemente escorrendo.
Sentado à mesa com dois amigos, Gilberto e Felipe, Murilo se embriagava. Qualquer garrafa de vinho ou cerveja é mais barata que os antibióticos receitados pelo doutor. Por isso, mesmo sabendo que no dia seguinte as terríveis pontadas na cabeça seriam mais dolorosas, ele bebia.
—Porra, Murilo! Pare de passar essa faca na mesa, cara. Está me irritando. —falou Gilberto.
—Ele parece estranho hoje. — observou Felipe.
Eles não sabiam do problema dele.
Com a mente preocupada pela doença, o rapaz continuou a manusear a faca, diante dos olhares curiosos dos outros dois. Seu nariz escorria, mas ele não o assoava. Não se importava mais com isso.
—Cara, que nojo! Por que você não limpa isso? — perguntou um deles.
Murilo não respondeu. Desde que chegara ali, não havia falado nada. Estava quieto, em estado de reflexão profunda.
—Vou buscar mais cerveja. — disse Felipe, se levantando.
De repente, um berro e o barulho de alguém tombando. Felipe que voltava com uma garrafa em cada mão cruzou com Murilo. “Aonde vai?”, perguntou. Nenhuma resposta. Quando chegou ao local onde bebiam encontrou Gilberto caído no chão, esfaqueado.
Flantuares
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Minha mão no teu corpo
Minha mão percorre teu corpo
descontrolada, louca
como quem passeia no Éden
desliza sobre tua forma escultural
e a cada curva que passa, para
encantada
abrasada
extasiada.
Ah! Que furor a envolve
minando lava de seus poros
e ela, desvairada
perde-se de si mesma
no prazer inefável
de tocar tua carne.
Flantuares
descontrolada, louca
como quem passeia no Éden
desliza sobre tua forma escultural
e a cada curva que passa, para
encantada
abrasada
extasiada.
Ah! Que furor a envolve
minando lava de seus poros
e ela, desvairada
perde-se de si mesma
no prazer inefável
de tocar tua carne.
Flantuares
domingo, 16 de agosto de 2009
Um final melancólico
Recordo quando tu me perguntava
por qual razão me embriagava tanto
não parecia, mas eu derramava
internamente doloroso pranto.
"A vida é triste", era o que te falava
tu me acalmava com suave encanto
por um momento a morbidez cessava
pra me cobrir mais tarde com seu manto.
Ah! Quantos choques sofremos na vida
por não podermos prever o futuro
jamais sonhei com lúgubre partida
logo você, de pensamento puro
toda vez que me achava alcoolizado
a reclamar de uma existência vã
detestava me ver naquele estado
porém bebeu em péssima manhã
um cálice de vinho envenenado.
Flantuares
por qual razão me embriagava tanto
não parecia, mas eu derramava
internamente doloroso pranto.
"A vida é triste", era o que te falava
tu me acalmava com suave encanto
por um momento a morbidez cessava
pra me cobrir mais tarde com seu manto.
Ah! Quantos choques sofremos na vida
por não podermos prever o futuro
jamais sonhei com lúgubre partida
logo você, de pensamento puro
toda vez que me achava alcoolizado
a reclamar de uma existência vã
detestava me ver naquele estado
porém bebeu em péssima manhã
um cálice de vinho envenenado.
Flantuares
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Desencanto
O quarto tinha paredes rosa-choque. Isso fez Celso lembrar de um prostíbulo que visitara certa vez, num momento de desespero sexual. Enquanto Carla tomava banho, ele invadiu o local, babando testosterona. Desejava-a com fúria. Queria possui-la a qualquer custo, porém, já havia cheiro de sexo no ar. Desconfiado, o rapaz olhou dentro do guarda-roupa e viu as roupas íntimas da moça. Trajes eróticos. Sutiãs de oncinha. Calcinhas semitransparentes e até uma fantasia de mulher-gato. Ficou perturbado, não conseguia imaginar aquela garota, sempre séria no serviço, sem nunca falar nada que não fosse a respeito do trabalho, naquelas vestimentas. Não acredito, dizia a si mesmo, a Carlinha...
Sentou-se na cama, o lençol branco tinha algumas manchas, deduziu que fosse suor ou esperma. Imaginou homens suando e gozando ali. Era inacreditável. A menina parecia um anjo. Sentindo-se abrasado, resolveu bisbilhotar o banho dela pelo buraco da fechadura. Caminhou à porta do banheiro. Abaixou-se cautelosamente para não fazer barulho e se deliciou com a visão. Uma deusa se banhava.
Com a mão no falo, mordia os beiços. Invejava o sabonete, que deslizava pela forma escultural da jovem. Mas quando a viu agachar-se num canto, tocando sua genitália, possuindo a si mesma, foi embora, murcho, desapontado.
Flantuares
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